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21 de maio de 2008

A CRUZADA DE Al GORE CONTRA O EFEITO ESTUFA *Amália Safatle

O documentário, baseado no mais recente livro de Al Gore, chega às telas brasileiras dia 3 de novembro
*Amália Safatle


Al Gore pode ter perdido as eleições nos Estados Unidos, mas ganha audiência crescente nos quatro cantos da Terra. O "ex-futuro presidente dos EUA", como costuma se intitular, tornou-se o mais famoso e convincente porta-voz do aquecimento global e de suas conseqüências catastróficas. Bom para o mundo.

» Veja o trailer do filme de Al Gore

Parte da sua jornada "catequizadora" foi registrada em An Inconvenient Truth, ou Uma Verdade Inconveniente, documentário que chega às telas brasileiras no dia 3 de novembro, inicialmente no circuito São Paulo-Rio. O trailer pode ser assistido no site www.climatecrisis.net .

Inconveniente e absolutamente necessário, o filme dirigido por Davis Guggenheim é de um didatismo capaz de demover qualquer dúvida - se é que ainda existe - sobre as causas antrópicas das mudanças climáticas, e os conseqüentes desastres de toda a ordem em um planeta que começa a fazer água. A profusão de dados, desenhos animados, gráficos e fotografias sobre o aquecimento e os prejuízos para o ser humano, a saúde e a economia são de uma veracidade assustadora.

Uma animação, por exemplo, - de forte apelo principalmente para o público norte-americano -, mostra o que acontecerá às regiões costeiras dentro dos próximos anos com a elevação do nível do mar causado pelo derretimento das geleiras.

O aumento de poucos metros faria submerger o memorial do World Trade Center, colocando qualquer plano terrorista no chinelo. É assim que o documentário conclama as pessoas a mudarem suas atitudes em relação à maneira como se produz e se consome recursos e energia. Mais que isso, instiga o cidadão a exigir uma revolução política, de modo que o efeito estufa seja alçado à lista de prioridades de qualquer governante como o maior dos problemas a ser enfrentado, desde já, pela humanidade.

Como bem demonstra Al Gore, a ciência e a tecnologia já são capazes de oferecer o conhecimento e as ferramentas necessárias para combater o aquecimento global. Falta é a vontade política de mudar os paradigmas econômicos vigentes. Nesse ínterim, o ex-vice-presidente na gestão Bill Clinton aproveita para lembrar, em tom um tanto irônico, que vontade política é um recurso também renovável.

Não que se tivesse ganhado as eleições, os Estados Unidos teriam necessariamente ratificado o Protocolo de Kyoto, pois o Congresso norte-americano tem autonomia para decidir os rumos do país. Mas o embate teria sido bem mais duro.

Os EUA oficialmente rejeitam assumir compromissos para a redução da emissões de efeito estufa, amparados pela política desenvolvimentista e pela saga petrolífera da dinastia Bush. Extra-oficialmente, entretanto, é crescente a adesão no país a metas voluntárias, por prefeituras, governos estaduais e até cidadãos.

Al Gore, que esteve na última semana em São Paulo, continua sua cruzada mundo afora - sempre tomando o cuidade de neutralizar, por meio do plantio de árvores, os gases de efeito estufa emitidos pelos aviões que toma e também dos gases gerados na produção do próprio documentário. Militante, encontrou sua forma de fazer política sem estar preso a uma cadeira presidencial.


*Amália Safatle é jornalista e editora associada da Página 22, revista mensal sobre sustentabilidade, que tem como proposta interligar os fatos econômicos às questões sociais e ambientais.

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