NAVEGUE PELA COBERTURA EDUCOMUNICATIVA REALIZADA POR 100 ADOLESCENTES DO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO

26 de outubro de 2008

A mídia para conscientizar e sensibilizar os jovens. IZABEL LEÃO


Meio Ambiente, jornalismo e educação serão temas de discussão durante o 6o Simpósio Brasileiro de Educomunicação, que será realizado entre os dias 28 e 30, em São Paulo, com participação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Como se comportam os jornais brasileiros frente ao tema das mudanças climáticas mundiais? Que estratégias de comunicação o governo vem adotando no tratamento dos conflitos que envolvem o ambiente? Existe, no Brasil, uma política de educação ambiental? Os investimentos do setor privado têm compensado suas contribuições para o acirramento dos problemas ambientais? Que papel cabe, nesse contexto, às ONGs, ao terceiro setor e ao sistema formal de ensino?

Essas e outras questões serão debatidas no 6º Simpósio Brasileiro de Educomunicação, que será realizado no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, entre os dias 28 e 30 de outubro, numa iniciativa do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, do Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, do Canal Futura, do International Institute of Journalism and Communication, de Genebra, na Suíça, e do Sesc (Serviço Social do Comércio de São Paulo). O tema do evento será “Meio Ambiente, Jornalismo e Educomunicação”.

Representando o governo federal, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fará a palestra de abertura. O ministro é um dos responsáveis pelo programa “Nas ondas do ambiente”, que utiliza o rádio em programas de educação ambiental junto às escolas do estado do Rio de Janeiro.

Mais de 50 especialistas de todo o país participarão de três mesas- redondas e seis painéis. A USP estará presente através da participação dos professores Vinicius Romanini e Eugênio Bucci, da ECA, Marcus Sorrentino, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Pedro Jacobi e Sueli Furlan, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam), e Eda Tassari, do Instituto de Psicologia.

Mostras de documentários e atividades artísticas farão parte da programação, ao que se somará uma série de workshops voltados à produção de documentários para TV e de programas de rádio em escolas e comunidades, com a presença de especialistas como Leonardo Menezes, do programa “Globo ecologia”, e Francisco Costa, do Ministério do Meio Ambiente.

O professor Ismar de Oliveira Soares, coordenador do simpósio e supervisor do NCE da ECA, ressalta que a intenção do evento é aproveitar o fato de que várias forças sociais estão sintonizadas com o conceito de educomunicação, vinculado ao tema do ambiente. Trata-se, segundo ele, de um momento propício para promover um diálogo entre o poder público, a iniciativa privada, as áreas de pesquisa e as organizações da sociedade civil em torno das práticas de educomunicação socioambiental, levando em consideração que o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Educação (MEC) optaram pelo conceito no desenvolvimento de suas políticas públicas.


Soares: mobilização de escolas

Soares ressalta ainda que a educomunicação vem ganhando legitimidade, especialmente no Brasil e nos países da América Latina, como opção tanto para a melhoria das relações nos espaços educativos como para a eficácia dos programas que utilizam a mídia no ensino e na educação não formal. Atualmente, a área do ambiente tem sido especificamente palco de práticas educomunicativas empreendedoras, como assinala Lílian de Carvalho Lindoso, do Instituto Chico Mendes, em Palmas, Tocantins, ao detectar o uso da educomunicação em áreas de preservação ambiental do seu estado.

Francisco Costa, do Ministério do Meio Ambiente, organizador do Programa de Educomunicação Socioambiental, explica que a intenção do Ministério foi desenvolver uma referência pedagógica para educadores ambientais e gestores comunitários que a partir da educomunicação possam implementar políticas públicas, programas e projetos junto à sociedade civil.

Costa cita o exemplo da experiência da comunidade ribeirinha indígena Ashaninka, no município de Marechal Taumaturgo, no Acre, que hoje gerencia uma rede comunitária de monitoramento territorial e educação ambiental na reserva extrativista onde se encontra. Foi a partir de uma parceria com o Gesac (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão), do governo federal, e a Rede de Povos da Floresta – formada em 2003 – que o Ministério do Meio Ambiente conseguiu apoiar o projeto de rede comunitária. Atualmente são dez telecentros dentro da reserva, que permitem aos índios manter-se conectados, prevenindo-se das invasões de madeireiros. “A internet permitiu que eles se articulassem rapidamente com o Ibama e a Polícia Federal e a ação de proibição foi rápida e eficaz”, reflete Costa.

Mídia e ambiente – Uma análise inédita feita pela Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) em 50 jornais publicados entre 2005 e 2007 aponta que a atenção da mídia sobre mudanças climáticas se intensificou, mas falta explorar as causas e possíveis soluções para o fenômeno. A pesquisa “Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira” analisou 997 textos, entre reportagens, editoriais, artigos, colunas e entrevistas.

Jacobi: ambiente com pouco espaço

O secretário executivo da Andi, Veet Vivarta, apresentará dados dessa pesquisa no Simpósio Brasileiro de Educomunicação, na conferência intitulada “A Imprensa Brasileira e o Meio Ambiente”, prevista para o dia 28. Segundo a pesquisa, a temática esteve mais presente nos veículos de abrangência nacional (Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo e Correio Braziliense) e econômicos (Valor e Gazeta Mercantil). Enquanto os 44 jornais de circulação regional contribuíram, na média individual, com 1,46% dos textos veiculados no período, os quatro veículos nacionais, somados aos dois de cunho econômico, contribuíram – também na média individual – com 5,95% das matérias publicadas.

O estudo também mostra que a maior parte do material ainda carece de contextualização e apresenta, portanto, muitas oportunidades de aprimoramento. Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da Andi e responsável pelo estudo, ressalta que a mídia exerceu pouco sua função de monitorar as políticas públicas. “Se os especialistas apontam que o Brasil ainda não possui ações na área, isso não é desculpa. A imprensa não pode falar sobre o que não existe, mas pode fazer uma cobertura de cobrança”, diz.

Vivarta diz que, na maioria das vezes, a mídia é alarmista, salientando as conseqüências negativas do aumento das temperaturas na Terra, por exemplo, e deixando de lado a oportunidade de debater as causas e as soluções desse fenômeno. “O pensamento comum das mídias é se voltar para o catastrofismo como forma de vender a notícia. A mídia precisa ir além disso e contextualizar melhor a questão”, explica.

No painel “Jornalismo e Meio Ambiente”, previsto para a tarde do dia 28, o professor Pedro Jacobi, da USP, vai analisar o papel do jornalismo e dos profissionais de comunicação no tratamento dos temas que envolvem conflitos de interesse entre o poder público, as comunidades locais, a iniciativa privada e os movimentos organizados em torno da defesa da biodiversidade.

Jacobi acha que o espaço dado pela mídia para assuntos ligados ao ambiente ainda é muito restritivo e já não tem a especificidade que tinha antes. “Agora o ambiente se mistura com assuntos de ciências. A especificidade ficou por conta das revistas especializadas e os diversos sites existentes na internet. A mídia atual voltou-se preferencialmente para o segmento das empresas e para o tema da sustentabilidade”, ressalta.

O evento também contará com uma coletiva educomunicativa que reunirá cem adolescentes. Durante os três dias de simpósio, os jovens, assistidos por uma equipe de profissionais do NCE e de um grupo de instituições parceiras, farão entrevistas com os palestrantes e participantes para serem publicados em blogs e na edição noturna do telejornal do Canal Futura.

Outra atividade ilustrativa de prática educomunicativa será a mostra “Ecocine”, que exibirá uma série de produções em vídeo das TVs, de produtores independentes e de agentes comunitários, sobre ambiente, com destaque para produções de adolescentes da Apae de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo.

Para o professor Ismar Soares, a grande meta da educomunicação socioambiental é mobilizar escolas rurais de todo o país para que as crianças, através de sua produção midiática, sensibilizem seus pais, trabalhadores rurais e extrativistas, na defesa do ambiente. Segundo o professor, a prática educomunicativa não é própria apenas do ambiente escolar. Mesmo a mídia pode adotar os referenciais do novo campo em sua produção regular, como vem ocorrendo com veículos como a TV Cultura, o Canal Futura e a Rádio Eldorado.

O 6º Simpósio Brasileiro de Educomunicação será realizado de 28 a 30 de outubro, no Sesc Vila Mariana (rua Pelotas, 141, Vila Mariana, em São Paulo). Inscrições podem ser feitas no endereço eletrônico www.sescsp.org.br. Mais informações pelo telefone
(11) 5080-3142.



Postado por Carmen Gattás

Um comentário:

Rodrigo disse...

Parabéns pela iniciativa! Boa sorte e bom trabalho para todos!

Abraços